quinta-feira, 8 de maio de 2008

Mercados: Depois de quatro recordes, Bovespa cai 1,68% em dia de realização

Valor Online




SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) resistiu, mas não escapou a uma esperada realização de lucros depois de quatro dias consecutivos de recorde. Ao final do pregão, o Ibovespa apontou 69.017 pontos, com queda de 1,68%. O giro financeiro segue elevado, acima dos R$ 7,09 bilhões. Cabe lembrar que, da quarta-feira passada, quando o país ganhou o grau de investimento, até ontem, o índice o índice acumulava alta de 9,98%.




Na avaliação do analista de investimentos da Spinelli Corretora, Max Bueno, o que motivou esta realização de lucros, além da forte alta acumulada, foram os indicadores apresentados nos Estados Unidos.




Segundo o analista, dois dados surpreenderam e acabaram gerando dúvidas sobre a condução da política monetária naquele país. O primeiro deles foi o forte avanço do crédito ao consumidor, que subiu duas vezes mais que o esperado, sinalizando uma economia aquecida. E o outro é o preço do petróleo, que segue batendo recordes acima dos US$ 120 o barril de WTI.




A economia aquecida em meio à maior pressão inflacionária pode levar o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, a rever sua política monetária, podendo resultar em alta de juros em algum momento do segundo semestre.




Voltando o foco para o mercado interno, Bueno frisa que a valorização da bolsa desde quarta-feira passada foi muito rápida e que cabe lembrar que o grau de investimento não é uma panacéia para tudo. O selo só revela maior capacidade de pagamento, não significa maior crescimento ou desenvolvimento.




Para a bolsa, um ponto positivo de tal classificação é que, na medida em que a economia brasileira passa a ser percebida como de menor risco, os descontos nos modelos de avaliação das empresas e ações também são reduzidos, e, conseqüentemente, o valor das companhias tende a aumentar, mesmo que marginalmente.




Outra questão é a atração de novos investidores. Segundo Bueno, dos 50 mil fundos de atuação mundial, apenas 200 investiam no Brasil. Com o selo, parte dos 49.800 fundos restantes passa a olhar o país de forma diferente.




Em um primeiro momento, os papéis de maior liquidez devem se beneficiar dessa esperada alocação de recursos, mas conforme os novos investidores forem conhecendo o mercado brasileiro, as ações de segunda linha também devem ser procuradas.




Bueno afirma ainda que reviu a previsão para o Ibovespa no encerramento do ano, de 75 mil pontos, para 80 mil pontos. Ele ressalta, contudo, que volatilidade seguirá presente ao longo de todo o caminho, diante da preocupação mundial com a inflação e dos desdobramentos da crise de crédito nos Estados Unidos.




Puxando as perdas, Petrobras PN recuou 0,33%, para R$ 44,85, Vale PNA perdeu 2,24%, para R$ 53,96. Os bancos também contribuíram para a queda, com Bradesco PN recuando 1,38%, para R$ 38,55, e Itaú PN perdendo 2,12%, para R$ 46,60.




Queda acentuada para Copel PNB, que recuou 4,77%, para R$ 27,90. Gol PN cedeu 4,70%, para R$ 27,16, e Rossi Residencial ON caiu 4,09%, para R$ 18,05. Nossa Caixa ON, Telemar Norte Leste PNA, Light ON e TAM PN também perderam mais de 4% cada.




Destaque para os ativos ON da CSN. Os papéis subiram 1,84%, para R$ 75,58, registrando o terceiro maior volume do dia. A companhia fechou o trimestre com lucro de R$ 767 milhões leve crescimento sobre os R$ 763 milhões obtidos em igual período do ano passado. Na avaliação da Brascan Corretora os resultados vieram em linha com o esperado, mas a corretora destaca como pontos positivos a redução de custos, as maiores vendas no mercado interno, o ganho de participação de mercado e as maiores vendas de minério de ferro no exterior.




A Braskem também apresentou resultados hoje. A petroquímica registrou queda de 35% no lucro trimestral, de R$ 127 milhões, para R$ 83 milhões nos três primeiros meses de 2008. A ação PNA perdeu 3,30%, para R$ 13,73.




Fora do Ibovespa, o BicBanco anunciou expressivo crescimento de 90% no lucro do trimestre, para R$ R$ 91,9 milhões. Mesmo assim, a ação PN do banco registrou queda de 2,94%, para R$ 9,90.




A Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI) registrou o maior lucro de sua história no primeiro trimestre de 2008. Foram R$ 68,2 milhões, revertendo um prejuízo de R$ 12,9 milhões observado nos três primeiros meses de 2007. As ações ON reagiram de forma positiva, avançando 6,55%, para R$ 9,10.




(Eduardo Campos | Valor Online)



http://extra.globo.com/economia/plantao/2008/05/07/mercados_depois_de_quatro_recordes_bovespa_cai_1_68_em_dia_de_realizacao-427263791.asp




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