domingo, 1 de junho de 2008

Junta Militar obriga refugiados a trabalhos forçados nas aldeias









Organizações não-governamentais e Nações Unidas denunciam recurso a crianças órfãs e condenam actuação do regime




A Junta Militar que governa a Birmânia está a forçar os sobreviventes do ciclone Nargis a abandonar os seus refúgios provisórios e a regressar às aldeias devastadas, quatro semanas depois da catástrofe que afectou mais de 2,4 milhões de sinistrados.




A denúncia foi feita ontem por organizações não-governamentais presentes no país, no mesmo dia em que o secretário norte-americano da Defesa, Robert Gates, acusou o regime de ser responsável por milhares de vidas que poderiam ser salvas se fosse facilitada a entrega da ajuda internacional aos sinistrados. Gates estava em Singapura, numa conferência anual sobre a segurança na Ásia reunindo altos responsáveis da Defesa, onde a situação na Birmânia esteve no centro das atenções.




Exploração de órfãos Também ontem, a Organização Internacional do Trabalho veio alertar para os riscos crescentes do recurso ao trabalho forçado, incluindo crianças órfãs, por parte do regime militar. Habitantes refugiados em escolas e mosteiros budistas confirmaram à agência de notícias France-Presse que as autoridades os obrigam a abandonar os refúgios, mesmo que eles não tenham qualquer abrigo nas aldeias de onde fugiram.




A organização de defesa dos Direitos do Homem Human Rights Watch afirmou mesmo que os militares estão a encetar incursões em dezenas de campos de refugiados, levando-os e abandonando-os depois à sua sorte nas localidades devastadas pelo ciclone, que causou mais de 133 mil mortos no início de Maio. No delta do Irrawaddy, a região mais afectada, as autoridades birmanesas estimam que 95% das casas foram totalmente destruídas e inúmeras aldeias foram literalmente varridas do mapa.




Esta semana, a ONU lamentou que mais de 40% dos sinistrados ainda não tenham tido acesso à ajuda internacional. Navios carregados de ajuda A directora do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas, Josette Sheeran, esteve ontem na Birmânia para inspeccionar as operações humanitárias em curso. Ao mesmo tempo, e forçado pela pressão internacional, o regime birmanês anunciou a criação de um novo organismo para coordenar as acções de socorro, composto por representantes da ONU e de outros países asiáticos.




Mas, apesar de já permitir o acesso ao delta do Irrawaddy, a Junta recusa liminarmente que a ajuda seja transportada por navios militares estrangeiros.




Franceses, ingleses e americanos foram, por isso, obrigados a descarregar na Tailândia ou a aguardar permissão. É a esta obstrução que Robert Gates se referia ontem, denunciando que tem custado milhares de vidas.



http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=952900

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