sábado, 8 de dezembro de 2007

Encontrado corpo de menino desaparecido em córrego de SP

Carlos Eduardo caiu em um córrego, na zona sul, após tentar pegar uma bola levada pela enxurrada


Na sexta, Felipe segurava a foto do irmão menor ao lado do córrego onde Carlos Eduardo caiu

Sérgio Castro/AE - 07/12/2007

Na sexta, Felipe segurava a foto do irmão menor ao lado do córrego onde Carlos Eduardo caiu

SÃO PAULO - O corpo do menino Carlos Eduardo Ferraz Oliveira, de 7 anos, foi encontrado às 11h15 deste sábado, 8, no Rio Guarapiranga, próximo à Ponte Guarapiranga. Carlos Eduardo desapareceu na noite de quinta-feira, 6, após cair no Córrego Guarujá, no Jardim Neide, na zona sul de São Paulo.

Carlos caiu no córrego após tentar pegar uma bola que era trazida pela enxurrada. Apesar da chuva forte, o menino tentou pegar a bola. O nível da água tinha subido por causa da forte chuva que atingiu a capital durante a noite.

O garoto estava acompanhado do irmão Felipe Augusto Ferraz Oliveira, de 11 anos, em uma escadaria próxima da casa onde moram, esperando pela mãe. Imediatamente, Felipe se atirou no córrego para salvar seu irmão. "A correnteza estava muito forte. Fiquei com medo, mas só conseguia pensar nele." A força da água era tão grande que Carlos desapareceu rapidamente. O próprio Felipe também começou a ser levado pela enxurrada.

Felipe percorreu uns 400 metros do córrego, gritando pelo irmão. Como não viu mais Carlos, resolveu se segurar no mato da margem. "Comecei a gritar por socorro e dois vizinhos trouxeram uma escada para me tirar de lá. Nem tomei banho, e saí correndo até a casa da minha tia para avisar a minha mãe."

Mãe em choque

Daiane Ferraz Oliveira, 25 anos, mãe dos meninos, havia saído de casa para ir até a casa de uma prima buscar comida para jantar com os filhos. Quando soube o que tinha acontecido, entrou em estado de choque. Só ontem, enquanto uma equipe do Corpo de Bombeiros iniciava as buscas no córrego, ela conseguiu falar. "Meu coração de mãe foi embora junto com ele. Desceu o córrego junto com meu filho."

Moradores contam que é comum descerem bolas pelo córrego quando chove forte. "Os meninos ficam esperando. Os que moram aqui há muito tempo ou não ligam ou esperam com um bambu, mas como eles são novos por aqui, aconteceu isso", afirmou um vizinho, que preferiu não se identificar.

Os moradores dizem, ainda, que já solicitaram à Prefeitura a canalização do córrego ou a construção de um muro, para evitar novos acidentes. Pelo menos dois homens já teriam escorregado na água. Não há previsão de canalização do Córrego Guarujá.

Sem esperança

Na sexta, Daiane não nutria nenhuma esperança de encontrar o filho com vida. "Eu não tenho mais esperança. Quero encontrar seu corpo para acabar logo com essa agonia", afirmou a mãe.

Em compensação, Felipe não desistiu de reencontrar seu irmão com vida. Segurando uma foto de Carlos, ele dizia. "Quando a gente encontrá-lo, vou pedir para a minha mãe para nos mudarmos daqui. Esse lugar é muito perigoso."

(Colaboraram Andressa Zanandrea e Gilberto Amendola, do Jornal da Tarde.)





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