terça-feira, 21 de agosto de 2007

Justiça anuncia multa para médicos grevistas de AL


Paralisação já dura quase três meses e prejudica 2 mil pessoas por dia. Outros profissionais da Saúde cruzaram os braços e esperam proposta do Governo.




Do G1, com informações do Bom Dia Brasil




Já são 86 dias de greve dos médicos e de sofrimento para a população que depende da rede pública de Saúde em Alagoas. A Justiça anunciou punições - quem não voltar ao trabalho a partir desta terça-feira (21) vai pagar multa diária de R$ 100.





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Na segunda-feira (20), médicos da Polícia Militar foram chamados para atender pacientes em um hospital e um ambulatório de Maceió, em substituição aos grevistas. Pacientes mais graves estão sendo transferidos para hospitais particulares conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS).





Os médicos que pediram demissão ainda não chegaram a um acordo com o estado e a situação pode se agravar porque mais profissionais resolveram cruzar os braços. Enfermeiros, auxiliares de enfermagem e assistentes sociais, entre outros trabalhadores da Saúde querem 80% de aumento salarial. Os servidores esperam uma contraproposta do Governo até quarta-feira (22).





Serviços como o das ambulâncias que fazem atendimento de urgência passaram a funcionar com apenas 30% da capacidade.





Transferência arriscada





O Hospital Pronto-Socorro de Maceió, o único da rede pública que continua atendendo todos os casos, recebe gente de todo o estado. Por falta de neurocirurgiões, três pacientes em estado grave foram transferidos da unidade de emergência de Arapiraca, no Agreste, para a Capital.





“Tem neurocirurgião em Maceió, mas o risco do transporte é muito grande. O paciente vai em condições precárias, porque é um transporte dentro de uma ambulância. Não é a mesma coisa que ficar em um hospital”, alerta o urologista Marcos Guido.





No Hemocentro de Alagoas, onde sete hematologistas entregaram os cargos, pelo menos 50 pessoas deixaram de ser atendidas na segunda.





Direito à vida




O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou, em Brasília, o aumento de R$ 26 milhões no repasse anual para Alagoas e criticou a atitude dos médicos. “O direito, que é um direito importante dos trabalhadores de Saúde de ter acesso a condições de trabalho e salários mais dignos não pode se sobrepor ao direito das pessoas à vida”, afirmou.





Na segunda, em assembléia, o Sindicato dos Médicos anunciou que foi chamado pelo Governo para uma conversa nesta terça-feira (21). O encontro representa uma esperança para o fim do impasse que já dura quase três meses e deixa mais de 2 mil pessoas por dia sem atendimento no estado.





Os médicos decidiram manter a reivindicação de 50% de aumento salarial e exigir o pagamento dos salários cortados, além da garantia de que não haverá retaliação. Até agora, o governo disse que não podia pagar mais de 5% de aumento.






Paraíba





Na Paraíba, onde uma mulher de 28 morreu no fim de semana à espera de uma cirurgia no coração, nada mudou. Mais de 500 pessoas ainda aguardam na fila para passarem pela operação.





Os médicos reivindicam aumento na tabela do SUS que, segundo eles, está defasada há mais de dez anos. Dizem que não estão em greve, mas existe um acordo verbal com os hospitais. Já a Secretaria de Saúde de João Pessoa contesta os médicos e diz que há um termo de responsabilidade assinado em 2005 pela direção do hospital, com base em uma portaria do Ministério da Saúde, que regulamenta a atenção cardiovascular.





O fato é que as cirurgias de coração estão suspensas desde quinta-feira (16) na Paraíba. A cooperativa dos médicos diz que mais de 500 pessoas esperam por cirurgias de ponte de safena e de troca de válvulas mamárias, como era o caso de Elizângela Ferraz, que morreu no fim de semana. A família dela vai processar os médicos cardiologistas. O Ministério Público também entrou com uma ação contra médicos, cooperativa e hospitais credenciados por entender que houve omissão de socorro.


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