quarta-feira, 18 de julho de 2007

Musharraf descarta emergência no Paquistão após atentados

Por Haji Mujtaba

MIRANSHAH, Paquistão (Reuters) - O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, descartou na quarta-feira declarar estado de emergência diante da onda de atentados que já matou mais de 130 pessoas neste mês, segundo autoridades.

O incidente mais recente ocorreu na região do Waziristão do Norte, fronteira com o Afeganistão, onde militantes mataram 17 soldados, um dia depois de um atentado suicida com 16 vítimas fatais na capital, Islamabad. A violência aumentou significativamente desde que as forças do governo invadiram, na semana passada, a Lal Masjid ("Mesquita Vermelha"), encerrando uma semana de cerco e matando 75 seguidores de clérigos radicais islâmicos.

Ao mesmo tempo em que militantes supostamente buscam vingança pelo massacre na mesquita, combatentes pró-Taliban no Waziristão do Norte prometem atacar as forças de segurança depois de abandonarem um acordo de paz de dez meses.

Musharraf, importante aliado dos EUA, descarta há meses o estado de emergência como forma de conter uma campanha oposicionista de advogados indignados com o afastamento do presidente do principal tribunal do país.

Na quarta-feira, ele novamente afastou a hipótese de declarar estado de emergência. "O presidente foi questionado sobre se deveria ser imposta emergência devido à crescente violência, e o presidente claramente disse que não", afirmou uma importante fonte do governo, citando uma conversa de Musharraf com editores de jornais.

Referindo-se aos incidentes, a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto disse na terça-feira que "mãos ocultas" tentam criar um pretexto para Musharraf declarar estado de emergência, o que poderia levar ao adiamento das eleições previstas para este ano, quando Musharraf deve buscar um novo mandato. O presidente repetidamente rejeita a possibilidade de adiar o pleito.

Os 17 soldados foram mortos quando faziam uma patrulha na região de Datta Khel, 40 quilômetros a oeste de Miranshah, principal cidade da região.

Uma fonte oficial disse que inicialmente houve uma explosão no acostamento e em seguida uma emboscada. Vários militantes foram mortos no confronto que se seguiu, segundo um militar.

Bem mais de cem pessoas, a maioria policiais e soldados, foram mortos neste mês em atentados e tiroteios no noroeste paquistanês. Em Islamabad, os atentados são raros, mas a polícia disse a jornalistas na noite de terça-feira que há informações da entrada de homens-bomba na capital.

O atentado de terça-feira ocorreu em frente à sede da corte onde o juiz Iftikhar Chaudhry, que foi afastado, falaria a advogados. Houve mais de 60 feridos, além dos 16 mortos.

Chaudhry, símbolo da oposição ao governo Musharraf, iniciado há oito anos com um golpe de Estado, ainda não havia chegado ao local. Ali perto funciona também um diretório do Partido do Povo Paquistanês, de Bhutto, para quem o partido foi alvo do ataque.

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